330 — 16 de outubro de 2020

330

Dia desses, conversando com Tullio, falávamos sobre o tempo e a vida, e o que resta a cada um de nós. Ele me perguntou, provocação, na verdade, “e se mais nada de extraordinário acontecer na sua vida daqui pra frente?”.
Nunca tinha pensado sobre isso. Mas não sinto hoje nenhuma necessidade de viver novas experiências. Sei que elas vão acontecer, mas não as busco. Sei lá. Vivi tanto sentimento bom e tanto sentimento difícil. Me sinto bem com tudo isso. Se minha vida fosse só essa que vivi até agora, teria sido fantástica.
Mas há sempre mais… porque nada finda. Há ainda muitos sonhos a sonhar e muita alegria a enxergar, especialmente nos olhos de Sophia. Ela carrega minha esperança… Sem esperança não somos muita coisa.
E, respondendo a provocação do meu amigo… hoje de manhã, pela décima quinta vez, desejei feliz aniversário pra Sophia. Ele respondeu com um abraço, um sorriso e “eu te amo”.

O cotidiano vai ser sempre extraordinário.

Fim (?)

329 — 15 de outubro de 2020

329

Entre o agora e essa representação de sonho futuro há muitos anos… E nesses muitos anos talvez muita coisa aconteça. E talvez até esse sonho, muitos outros sonhos, mude. A vida é dinâmica. O equilíbrio perfeito diluído no tempo. 

Desisti de tentar entender tudo, teorizar sobre a vida e sobre meus sentimentos. Apenas agora só tento sentir cada um deles. E ser fiel ao que sinto. E o que sinto hoje, é uma vontade de me sentir bem. Por isso, talvez, me sinta tão bem.

Não é como se todos os problemas da vida e todas as mágoas tivessem, de uma hora pra outra, acabado. O mundo é muito cruel. Há muito que se enfrentar, especialmente num momento tão brutal quanto o que se vê agora no país. Que esses canalhas caiam!… Mas no meu micro universo particular, há muito a ser contemplado. Agradecer. A gente vive assim, sendo ilhas de felicidade cercadas de atrocidades. E assim a gente vai vivendo. Amor e resistência… O importante é permanecer…

Às vezes penso que não há metas a serem atingidas, nem objetivos a serem conquistados no final. Não há final. Há durante. O meu, como o de quase todo mundo, é complicado, difícil algumas vezes, fácil demais em outras… E assim é. Porque é assim que é. E, pensando bem, é tudo muito bom. Porque todos os dias, quando acordo e olho pra Sophia, eu acho que entendi tudo. Porque o sorriso dela é um horizonte. Meu horizonte. E seus olhos criam diariamente meu universo… e nele, eu sou sempre feliz.

328 —

328

Mas ainda penso todo dia. E sonho. No meu sonho… desejo… anseio… súplica… estamos sentados… no alto. De onde? Nós mesmos. Olhando o sol deslizar na tela de uma vida. Nossa vida. Contemplando os sonhos realizados… ou aqueles desfeitos… Fico feliz por isso…… Olho pra Letícia e toco, depois de tantos anos, ainda tímido, sua mão… E ela apenas me aceita. E me olha, e sorri… Retribuo… entre as rugas que o tempo vai trazer… Ela recosta sua cabeça no meu ombro… O tempo já nem teremos mais… Hora apenas de amar… Fecho meus olhos… tudo que preciso ver já tenho dentro de mim… Todos os momentos bons e ruins em que estivemos juntos… A noite se espalha… e eu peço apenas que o dia não chegue… pra que esse momento seja a eternidade.

Eu sempre disse que sou piegas.

327 — 14 de outubro de 2020

327

Quando falo que encontrei Letícia, todo mundo logo pergunta ou insinua a pergunta, sobre eu voltar com ela ou não. Não há resposta a ser dada. A vida não é um interrogatório que a gente presta às outras pessoas. 

Não pensamos nisso. Creio que falo por ela também, eu acho. Apenas gostamos de estar juntos ali, jogando conversa fora e compartilhando histórias. Se há algo além a acontecer, deixa para o tempo. Ou não. Não sei. Não importa. Sei que pra agora, talvez seja melhor não. Muitos intervenientes ainda. Pontas soltas de nós a serem desatados. Para isso, o tempo… E para nós dois, agora, descobrimos um pelo outro um amor que vai além das convenções sociais dos relacionamentos. Então, deixa assim…

Na verdade, pensando bem, sempre foi assim. A gente sempre subverteu as convenções. E chocou todo mundo. Nós dois juntos éramos algo que eu nunca soube explicar. Mas era bom. Quando tentamos impor um ao outro quaisquer convenções, as coisas deram errado. Eu acho. Já nem sei. Com o tempo, a gente muda as narrativas de nossas próprias vidas para adaptá-las ao que a gente pensa agora. Talvez eu esteja fazendo isso ao falar de Letícia. Talvez não. Quem se importa? Sei que me senti feliz em vê-la. Quero ver mais vezes. Pelo  menos enquanto eu puder. Porque sei que vai chegar um momento em que não será mais possível, ou que talvez ela, ou eu, encontre outra pessoa e se envolva. E nos afastemos um do outro. Sei lá. A vida é imprevisível. Se isso acontecer, só basta saber que ela estará feliz, porque a felicidade dela me faz bem. E eu, eu já estou feliz… por tudo que vi, por tudo que vivi. Por agora, encontrei essa paz em mim, e a enxerguei refletida nos olhos doces de Letícia.

326 — 13 de outubro de 2020

326

Talvez o amor devesse ser mais simples… Na verdade, às vezes acho que ele é simples. A gente que complica, quer dar cores e roteiros coloridos demais. Ao ponto de ferir os olhos… O amor é minimalista. Pequeno. Suave, sereno. Doce… como um abraço… o abraço do meu pai, das minhas amigas… Ana Júlia.

Aos poucos estamos retomando a vida normal. Se é que é normalidade. Tudo ainda incerto, agora mais do que nunca. Todos os planos desfeitos abruptamente. Um vírus que ainda ameaça, e que eu acho que nunca mais vai deixar de de ameaçar, fez a gente mudar todas as perspectivas. Todas as formas de ver a vida e as pessoas. E a nós mesmas.

Se você não mudou, se você simplesmente voltou a ser como era antes, lamento por você. E pelo pequeno mundo a seu redor. Você não entendeu nada. Ou é medíocre ou mau caráter.

Escolhei mudar. Já não vejo as coisas como antes. Nem escola, nem família, nem futuro. Tanta coisa que lançam na nossa frente pra que tenhamos que escolher. Decidir tão jovem os rumos do que você nem sabe o que é. Mas tem que ser assim. O que muda agora, pra mim, é que as coisas que eu levava em conta pra as minhas tomadas de decisão, mudaram. As perspectivas de sucesso, dinheiro, relacionamento, convenções sociais… Tudo besteira. Espero daqui pra frente tomar todas as decisões baseadas no meu bem estar emocional e no amor verdadeiro que sinto pelas pessoas… e que elas talvez sintam por mim. Porque quando a gente ama, as coisas parecem fazer mais sentido.

Uma vez perguntei a Leléo sobre sentimentos abstratos. Eu falei que na escola disseram que era aquilo que a gente sente mas não pode tocar. E dei o exemplo do amor. Leléo rui e disse: “mas ele nos toca”. E como sempre gostou de frases de efeito, falou:  “o intangível é o que nos toca”.

325 — 12 de outubro de 2020

325

Ela veio vestida de um suavidade que me encantou. Sempre me encanta olhar para Letícia. Enxerguei nos seus olhos as palavras de perdão que eu precisava ouvir. Tanto as dela quanto as minhas. E o que se foi, ficou para o tempo. Lá no passado. As dores, deixamos ancoradas, amarradas em algum lugar do esquecimento.

Já os muitos momentos de alegria, arrastamos eles conosco. até aquela noite. Ali, depois de tanto tempo, olhando um pro outro e relembrando como fomos felizes… Porque, no fim das contas, só vale a pena lembrar do que foi bom. E foi bom. Por muito tempo, por muitos momentos. 

Olhar para Letícia daquela forma, livre de sentimentos vis, era olhar pra mim mesmo. Pra uma versão de mim que sempre gostei. Uma versão que ela despertou em mim. Leve. Divertida. Feliz, independente dos problemas que estivesse enfrentando. Foi bom me conectar com isso novamente.

Papo descontraído, sincero, atualizando os acontecimentos dos últimos tempos. Tanta coisa mudou na vida dela. Tanta coisa na minha permaneceu igual. Não vou mentir (tento não ser mais hipócrita comigo mesmo) essa nova Letícia que se mostrava ali, me despertou um desejo de saber mais, conhecer melhor, desvenda os novos encantos que ela ainda não revelara. Não sei se mera curiosidade ou algo a mais. O tempo vai dizer. E se não disser, a lembrança dela e a certeza de que ela está tão feliz, dessa vez do jeito certo, feliz consigo mesma, me dá uma tranquilidade que me reconforta.

324 —

324

O tempo é mesmo um negócio muito estranho. Falo “estranho” porque não tenho um vocabulário tão grande assim onde eu possa encontrar uma palavra pra exprimir o que sinto em relação ao tempo. E o tempo, parece que muda o que a gente sente. 

Muito tempo depois das mágoas e do ódio consequente, enfim, encontrei Letícia. E, confesso, adiei o máximo que pude esse encontro. Tinha medo. Não sei bem ao certo de quê. Medo de cair numa tristeza profunda, lamentação e mágoa; ou de reviver todo o ódio que eu senti por ela… Ou pior, descobrir que ainda sou loucamente apaixonado e jogar tudo pra cima e correr pros braços dela, como numa comédia romântica adolescente, brega e clichê.

Eu sou brega e clichê. Mas dessa vez, já não sou mais adolescente. Não era nem quando a conheci. Mas eu precisava desse embate comigo mesmo. Ver Letícia, tocá-la, ouvir sua voz. Tudo isso iria definir muita coisa dentro de mim. E definiu. Tomei coragem e aceitei seu convite.

323 — 6 de outubro de 2020

323

Lili é alguém que eu quis amar, que eu acreditei que seria bom amar… Mas não aconteceu… Descobri por ela mais admiração que sentimento… Talvez as condições e o tempo e o distanciamento. Que seja. Sem lamentos. A seu modo, ela foi importante… Tá bem perto da nossa especialização acabar… Depois disso, sei lá. Acho que não vamos ter muito mais contato. Nossos mundos (e idades) são diferentes demais. E, pensando bem, agora, na verdade a minha vontade inicial de me apaixonar não era por ela, era por qualquer pessoa que pudesse suprir algum espaço que ainda estava vazio em mim. “Escolhi” ela porque é a melhor pessoa que conheci nos últimos tempos. Forte, inteligente, sagaz, empática, verdadeira… todas essas coisas que fazem dela alguém tão linda. Me encantei com essa beleza. Mas colocar ela na minha vida apenas para tentar ocupar um lugar que um dia foi de outra pessoa seria uma canalhice sem tamanho. Violência sentimental… E ao longo da vida a gente comete violências sentimentais demais. E nem percebe. Não quero mais isso. E Lili merece um lugar só dela na vida das pessoas, para ocupar ou desocupar do jeito que ela achar melhor. Para Lili, deixo minha admiração, meu respeito e um desejo de que mesmo depois que nosso curso terminar eu possa ainda vê-la. Gosto de estar perto de pessoas boas… porque pessoas como ela fazem a gente querer ser uma versão melhor de nós mesmos… E espero mesmo que Renato saiba reconhecer isso nela; e não estrague tudo.

322 —

322

Às vezes a vida gosta de ironias… Tanto tempo idealizando um momento, seja numa expectativa ruim ou boa, e quando ele acontece é algo totalmente diferente. Ver Letícia foi algo assim… diferente. E surpreendentemente bom… Mas não vou falar disso agora, porque as ironias da vida me fazem ter que comentar outras coisas antes… 

Romeu me ligou. Estava feliz porque a mãe conseguiu se recuperar e voltou pra casa. Ele falava como se, com isso, fosse ter sua mãe de volta à sua vida. Ironia. Ela nunca esteve na vida dele. E ele sabe disso. Mas ainda assim, é hora de agradecer. Eu acho. Mas ele sabe que esperar alguma mudança a essa altura é pedir demais. Então as coisas só vão continuar como sempre pra ele… E ainda assim, estarão bem demais.

Já Renato… Descobri por acaso que ele e Lili estão mantendo um relacionamento virtual… Tudo indica que o namoro dela acabou depois que ela começou a conversa com Renato… Por causa da pandemia ainda não se viram pessoalmente… Isso é complicado demais pra minha cabeça. Mas para eles parece que está funcionando. Fico feliz… Eu acho.

321 — 3 de outubro de 2020

321

Já Letícia… sim. A odiei. Mas escolhi deixar tudo pra trás. Erros e acertos aconteceram. Meus e dela. E era pra ser o fim. Mas quando olhei pra mim mesmo, já liberto do ódio e do rancor e talvez até da tristeza, o que vi dentro de mim foi que não acabou. Ela não se tornou opaca. Invisível. Ela ainda tinha cor. Cores lindas. Que me fazem me sentir tão bem ao contemplar… Mesmo que eu esteja olhando na distância do tempo… E o tempo sempre muda as coisas… às vezes pra melhor, às vezes nem tanto… Por isso gosto tanto de falar nisso. Em como tudo foi bom. Sei que olho muito pra trás… mas o pra frente eu não sei. E quer saber? Só tento não ser hipócrita comigo mesmo… Não lembro se já falei aqui, mas quando olho pra frente, pra frente mesmo, eu percebo que Letícia seria uma ótima companhia na velhice. Mas existe ainda (assim espero) um longo caminho até lá. Então, por hora… pra agora… será que é pra ser? Não sei dizer. Não quero dizer… talvez nem pensar. Deixa ser. Nem toda forma de amar uma mulher é um pedido de casamento. O amor não tem nada a ver com relacionamento… Por ela sinto amor. Mas às vezes sinto que a gente existe pra uma forma diferente… não convencional… de viver ou cultivar esse sentimento. Por muito tempo me esforcei pra entender isso. Agora f…-se! Só não quero mais mentir pra mim mesmo. Nem me auto infligir mágoas… nem me envenenar com sentimentos vis. Quero apenas o bem dela. Porque assim me sinto bem. 

Acho que todo mundo devia ouvir aquela música de Nando Reis (sempre ele), “A minha gratidão é uma pessoa”… Eu ouvi. E agora os versos me soam ainda mais intensos, porque depois de tanto tempo… enfim me encontrei com Letícia…

Crie um site gratuito com o WordPress.com
Comece agora
%d blogueiros gostam disto: