143 — 29 de maio de 2020

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Tullio tem razão… É como se eu não tivesse medida pra nada, especialmente para o amor… Foi assim com Luana, foi assim com Samile (mesmo sendo tão rápido), foi assim com Letícia… e é assim até com Sophia.

 

Às vezes acho que meu amor sufoca ela… E a merda é que já percebo ela seguir o mesmo caminho… O mesmo que eu segui, repetindo a fórmula do amor exagerado que minha mãe tinha por meu pai. E nos filmes era do mesmo jeito… E realmente acreditei nisso… E acredito até hoje. A um ponto que relativizo a dor que isso pode me trazer… E não sei se estou certo. Nem quero saber se estou, apenas sou assim. 

 

Às vezes penso sim que sufoco Sophia… Mas logo depois, acho que não. Porque amor não sufoca… Eu acho. É melhor ela falar sobre isso, se ela quiser. Amo minha filha com aquela intensidade que faz a gente pensar que tudo pode acabar no próximo segundo e que, por isso, é preciso sempre ser tudo… entregar incondicionalmente todo o sentimento que a gente tem dentro da gente… Sem pensar no depois, sem pensar simplesmente… Mas não existe medo de tudo acabar… Não mais. Gosto de pensar que cada sentimento que tenho eu coloco na bolsa de Sophia… a bola que ela vai levar sempre com ela… para ir, seguir seus caminhos, viajar… são os suprimentos que ela precisa pra enfrentar o mundo… E depois de girar todo o globo, se ela quiser voltar, estarei aqui. Sempre.

 

Mas com as mulheres com quem tive algum relacionamento foi diferente… Só um pouco. É que com minha filha, lá no fundo, fica uma certeza de que ela sempre vai me amar (embora isso não seja uma regra ou uma sentença definitiva). Já com Luana e Letícia não. Sempre andei ali me equilibrando numa corda banda de incertezas… e intensidades.

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Sobre Letícia… Não sei o que dizer. De verdade. Meses atrás, se ela cruzasse meu caminho, eu me desestabilizaria… Ou para correr e abraçá-la entre lágrimas e súplicas de retorno; ou para enfiar a porrada na cara dela. [Eu falei que não sou uma pessoa muito boa!].

 

Eu não quero ficar aqui remoendo meus sofrimentos… Já fiz isso demais… Além disso, ia parecer meio chato pra vocês, eu acho. Só saibam que me f…! Me f… muito! Depois que Letícia foi embora, as coisas ficaram muito complicadas pra mim. Era como se eu não conseguisse enxergar nada além da dor que eu sentia… Não enxergava nem Sophia do meu lado, precisando de mim, enfrentando suas próprias dores… sozinha… e com o acréscimo do medo que ela sentia de me perder… Ela sofreu mais do que deveria…

 

[…]

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Mas agora é a minha vez que questionar Renato… e Romeu. Renato é sempre esse cara que parece que escolheu um modelo específico de amor e segue ele como se fosse um dogma. É o romantismo irreal que parece que nunca tocou o chão… Acho isso bonito. Eu mesmo queria ter isso de volta em mim… Mas vocês já sabem que Renato colheu consequências pesadas por isso… Pensando bem, esse jeito dele de insistir no amor ultrarromântico (que acho bonito, confesso) seja uma forma de reagir a tudo que ele passou… Como se dissesse “vou provar que o amor vale a pena”… 

 

Quer saber? Vale sim! “A única morte que vale a pena é aquela que  é por amor”. Desde sempre ele repetia isso antes de um brinde qualquer em homenagem às suas paixões idílicas. P…! Eu ia criticar o cara, mas no fim das contas, concordo com ele. Acho que a gente leu muito Shakespeare e Goethe… e assistiu a muita comédia romântica na sessão da tarde.

 

Já Romeu… [que ironia o seu nome]… Acho que ele entendeu o amor de outro jeito… um jeito mais físico. Acho que ele sempre teve dificuldades em conceber algo que ele não pode tocar… Por isso, sempre tocou muito… em muitas mulheres diferentes… E, uma ou outra vez, alguns homens também, mesmo que ele não queira admitir, pra não colocar a sua masculinidade em xeque.

 

E Romeu, agora, mesmo casado e feliz… Feliz de verdade! Tá apaixonado por uma garota mais nova. Mais ou menos da idade de Lili. E ele, obviamente, é outro que fica me incentivando a partir pra cima dela… Mas eu sei que ele faz isso só porque tem medo de que, agora que Letícia voltou, eu vá fazer merda de novo… e vá voltar para a espiral de autodestruição que me meti.

140 — 25 de maio de 2020

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Às vezes parece que o tempo passa e todo mundo da minha idade acha que o tempo não passou, e compram uma falsa juventude fora de época como se fosse o ápice da experiência existencial. Como se “não aproveitar” fosse um crime… Aí todo mundo fica nessa de curtir as veleidades efêmeras como se fosse a única forma de se sentir vivo…

 

É bom. Confesso que sinto falta disso às vezes. Sinto falta de um pouco de inconsequência e de irresponsabilidade na minha vida… Mas é que me dá a impressão que já extrapolei a minha cota disso tudo nesses 40 anos. E se não extrapolei… agora isso já não pesa mais tanto na minha balança de interesses… Tem muita coisa que me faz muito mais feliz… e que me dá muito mais prazer… Embora eu saiba que lá no fundo existe um monstro devasso adormecido… Já tive sorte até demais até aqui, então melhor deixar ele dormindo.

 

“Você fala isso porque não está apaixonado”. Dessa vez foi Romeu que falou. Talvez ele esteja certo…. E eu queria muito estar apaixonado de novo. Certamente se isso acontecer, tudo que falei aqui vai parece patético, porque eu vou fazer tanta merda que não quero nem pensar…. Mas ele também disse que eu tô falando isso só porque Lili tem outro e Letícia resolveu aparecer de novo… Talvez tenha razão também!

 

Gosto como meus amigos me fazem pensar… O legal é que nenhum quer decidir p… nenhuma por mim. Nem eu por eles. A gente só questiona, e faz as perguntas que o outro tem medo de fazer a si mesmo… As respostas, cada um que corra atrás por si só.

 

 

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Só que nessa questão toda ainda entra um fator que hoje não tenho como deixar de lado, a idade. Claro que não tô um idoso, mas como já falei várias vezes aqui… tô perto de entrar na segunda metade da minha vida; e nessa hora, algumas coisas começam a pesar mais do que antes. Eu vejo Lili, sou completamente encantado por ela… um misto de admiração, inveja, e atração… mas a gente está em mundos bem distintos ainda… E esses mundos, pra mim, parecem ser muito bem divididos pelo tempo… pela idade.

 

Não vou bancar o moralista, já falei. Nem tampouco vou criticar diferenças de idade… A questão toda disso é minha… De Leo para Leo. É que me olho todos os dias de manhã no espelho e… talvez algum ímpeto, algum viço… alguma juventude apaixonada tenha se perdido em algum lugar…

 

Vocês podem pensar que se perdeu quando Letícia me traiu, ou quando Luana me deixou… mas não. Não é isso. Ou talvez seja tudo isso junto… O lance é que as coisas estão diferentes… Estão diferentes dentro de mim… A merda é que parece que do lado de fora, tudo parece ser igual. E isso me incomoda. E faz eu querer ficar cada vez mais longe disso tudo.

 

Outro dia, conversando com Sophia, falei sobre isso, sobre esse meu momento de “me retirar do mundo”, enquanto ela está justamente no movimento oposto, “se lançar no mundo”. E tenho receio disso… desse mundo que a espera. Mas depois eu falo disso. Não quero perder a linha do raciocínio.

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“E daí?”…

 

Calma. Não tô bancando o presidente calhorda! Esse “e daí?” foi Renato que falou. E em outro contexto que não tem nada a ver com a pandemia, nem tampouco com o que Sophia falou. [Permitam-me aqui ser coruja… acho muito f… quando ela argumenta, mesmo que seja pra detonar a minha geração… até mesmo porque ela tá coberta de razão!]

 

Renato: “E daí se ela tem namorado! Isso nunca foi empecilho pra tu mesmo”.

 

Em outros tempos eu daria razão pra o meu amigo. Mas acho que depois que o tempo passa a gente vai mudando a forma de ver as coisas… Não vou pagar aqui de moralista, nem tampouco de super correto. Óbvio que num impulso, numa paixão, ou coisas desse tipo que viram o nosso norte de cabeça pra baixo, eu não hesitaria nem um pouco em investir em Lili mesmo ela tendo namorado… Mas como já falei antes, essa distância (não necessariamente física apenas, mas temporal) parece que cancelou qualquer pretensão de despertar algum tipo de paixão que me virasse o norte de cabeça pra baixo. Sendo assim, acho que não me empolguei com a ideia de Renato.

 

Conversamos um bocado sobre essas possibilidades, mas a minha experiência anterior como amante, não me rendeu coisas boas… Ou melhor, até rendeu demais. E esse foi o problema.

137 — 22 de maio de 2020

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A impressão que eu tenho é que essa geraçãozinha de Leléo tem grandes problemas cognitivos… Ah, se você faz parte dessa geração e não entendeu: eu te chamei de burro!

Esses pais, como os que sempre falam merdas nas reuniões da escola, devem ser tão incapacitados e tão ignorantes que não conseguem desenvolver as suas próprias visões críticas sobre nada… Meros robô programados para repetir padrões de comportamento e pensamento sem questionar… Não me admira que a maioria deles, nessa reunião que falei, estavam com camisetas com o slogam imbecil: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Sacou quem fez a merda toda de agora acontecer?!

Bom… o que me preocupa é só porque vejo gente da minha idade repetindo esse mesmo slogam e esses mesmos padrões de comportamento e (falta) de pensamento. Isso sim me assusta… e deve ser isso que assusta Leléo quando ele tá daquele jeito que falei, calado olhando para o vazio. Talvez esteja olhando para um horizonte nefasto [não resisti] que vem por aí… É que essa geração de pais ignorantes e alienados é que estão “educando” a minha geração. Esses caras, sim, é que são tão idiotas que se deixam influenciar por um vídeo de compras na Disney ao ponto de suas frustrações e suas incapacidades mentais os levarem a esbravejar grunhidos gratuitos… O pior é que os filhos deles crescem do mesmo jeito… sendo incapazes, alienados, autoritários e influenciáveis…

Resumo: vocês é que fazem seus filhos se influenciarem por conteúdos frívolos [tô gostando desse negócio de usar palavras bonitas]… mas não conseguem compreender que influência muito mais perigosa e devastadora são aquelas às quais vocês pais, metidos a “homens de bem” e defensores de fascista, se submetem (e submetem seus filhos), reproduzindo sem pensar slogans criminosos e absurdos travestidos de falsa moralidade e falsa religiosidade.

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Lembro bem de um vídeo sobre compras na Disney que os irmão Neto fizeram… Esse, em especial, ganhou um mundo de gente falando mal… Na reunião de pais e professores da minha escola, na época, isso dominou o debate. Todo mundo falando que isso só fazia estimular as crianças ao consumismo. Mas, ainda bem que aprendi com o próprio Felipe Neto a ser crítica com tudo, principalmente com gente que fala mal apenas por falar. Então ficamos eu e Leléo comentando como esses mesmos pais que criticam o consumismo, estão lá com o iphone mais novo (mesmo sem condições financeiras para isso). Além disso, esses mesmos pais criticam o vídeo, mas todos os dias estimulam seus filhos a ter sucesso e ganhar grana para poder comprar várias coisas inúteis… Esse povo sabe mesmo que é consumismo?!

E mais, como Leléo falou, quer coisa que estimule mais o consumo do que programa infantil da década de 80 e 90 (que eles defendem como modelos de conteúdo adequado)?! A cada 5 minutos na tv vem uma enxurrada de propaganda de brinquedo, de viagem, de roupa, de comida, de parque… Mas o problema do mundo foi o vídeo de um cara no Youtube.

Mas o mais irritante de tudo é que esses pais reclamam de Youtube e internet em geral, como se a função dela fosse educar. Quem educa (ou deveria) são vocês pais. Porque coisa boa e coisa ruim existe em todo canto, mas quem tem que estar perto das crianças para orientar são vocês… Só que vocês preferem deixar seus filhos com uma babá eletrônica gratuita e eficiente para acalmar eles do que assumirem suas responsabilidades na educação de seus filhos…. E não adianta só proibir o acesso. Isso é atitude tirana de gente incapaz, ignorante e incompetente! Porque hoje o acesso é inevitável… Leléo sempre dizia isso pra mim: “é melhor você ter a liberdade para ter contato com tudo, e eu te orientando nesse processo, do que eu proibir e quando você, inevitavelmente, se deparar com as coisas complicadas do mundo, não estar preparada para ter a sua própria visão crítica sobre elas”.

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Ah! Só um parêntese aqui nesse papo… Engraçado que nesse momento de embates contra um governo que flerta com o fascismo (sim, eu já estudei sobre isso… não tô só repetindo palavras que copiei de outras postagens!), vi muita gente aplaudindo Felipe Neto.

O posicionamento dele enquanto formador de opinião, pra mim, é a mais sensata e necessária que há. Se você tem poder de falar com uma geração, você não pode se omitir num momento como esse… Mas o engraçado, pra não dizer ridículo, é que essa semana, depois dele dar uma entrevista no programa Roda Viva (que nem vi ainda) um bando de gente…. essa gente da geração de Leléo, que gosta de pagar de intelectual… começou a aplaudir o cara. Mas essas mesmas pessoas, até ano passado, esculhambavam ele. Ainda bem que agora estão reconhecendo que ele é um cara sensato e extremamente necessário. Mas me irrito com essas pessoas.

Me irrito porque Felipe Neto foi um cara que me despertou o senso crítico para o mundo… e ele fez isso não apenas no Twitter (onde divulga coisas mais sérias), mas mesmo nos vídeos dele no Youtube. Entre uma e outra brincadeira, ele sempre defendeu bandeiras que eu entendo fundamentais. Mas sempre que eu dizia isso, as pessoas me julgavam… É mais fácil ficar no raso da reprodução das opiniões negativas sobre alguém (só pra bancar o intelectual) do que orientar seus filhos a olhar criticamente as coisas… até mesmo os vídeos bestas que servem pra divertir.

Ainda bem que Leléo fazia isso por mim… Claro que ajuda muito o fato dele também sempre ter gostado de assistir ao canal de Felipe Neto comigo. Leléo me ajudou a perceber as críticas que Felipe Neto fazia nos vídeos e que muitas vezes eu perdia porque estava mais interessada na diversão (comecei muito nova a ver o canal dele); e naqueles vídeos mais “vazios” de reflexão, que poderiam gerar algum questionamento moral, Leléo aproveitava pra gente conversar um pouco e eu criar minhas próprias visões críticas sobre o assunto.

134 — 21 de maio de 2020

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Mas tudo bem… falando sério agora. Eu tenho só 14 anos e a maior parte dessa bagunça toda eu não entendo bem. Mesmo Leléo com essa mania de comentar comigo os acontecimentos da política e do mundo… Acho legal, mas me perco em muita coisa.

 

No entanto, isso não impede que eu perceba a merda que tá acontecendo aqui. O país governado por um bandido e a maioria da população, tão bandida quanto ele, apoiando. Às vezes pego Leléo calado… muito sério. E eu já conheço ele bem demais pra saber que está preocupado. Às vezes percebo que ele se preocupa mais com o futuro do país que eu vou ter que enfrentar, do que mesmo com uma possível contaminação agora.

 

Pensando bem… essa pandemia de mau-caratismo (repleta de preconceito, ódio, violência, racismo, misoginia etc.) que se espalha no Brasil desde as últimas eleições é bem mais perigosa mesmo.

 

Não é possível que alguém ainda defenda esse bosta desse presidente depois de ouvir ele falar que vai fazer churrasco no meio de uma pandemia ou, ao ver o número absurdo de mortos, apenas dizer “E daí?”…. Definitivamente não entra na minha cabeça que isso é possível! Pra ser honesta, meu sonho agora é esse vírus pudesse ter o mínimo de uma estrutura neural pra poder selecionar certinho só esses bandidos, que acham que é tudo só uma gripezinha, para morrerem arquejando com falta de ar… Mas a merda é que esses filhos de um puto saem por aí contaminando todo mundo.

 

Eu sei que isso foi meio extremo… mas f…-se!

 

A pandemia mais perigosa e mortal que o Brasil enfrenta não é de coronavírus, é de ignorância, extremismo e desumanidade. Esses seguidores do presidente é que realmente parecem vírus: organismos sem cérebro que têm o único objetivo de destruir a vida de outros seres vivos… e eu aqui esperando a vacina contra eles. Será que um dia vamos conseguir imunizar as pessoas disso?

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